sobre o ato de roubar flores
Atualizado: 23 de set.
Sempre achei que só as flores mais inatingíveis eram dignas de serem roubadas, considerava que subtraí-las era o ápice da minha liberdade. Ladrão de flores já nasce perdoado?! Um dia deparei-me com uma rosa, reinava sobre um muro de grampos, tentei desesperadamente alcançá-la, nada!! Parecia que quanto mais escalava, ela sorria, gargalhava do pobre ladrão desajeitado! Dias e dias numa tentativa inglória de extirpar a flor do galho antes que o tempo lhe fizesse a honra da sua finitude..
- Ela pode ir embora, rápido, rápido...Nada!
Mas notei que a flor, exausta da minha frustração, já não mais sorria, lamentava, via-me!
Ao resolver desistir do intento...a flor despenca galho abaixo...Cai aos pés do infeliz...mas ainda assim superior a mim...
Olhei a rosácea e perguntei...
Por que se jogaste?
Ela na sua forma mais rubra me falou ...
Porque eu te contemplava...
O que vias não era riso, nem gargalhada, era uma vontade insana que tu me alcançasses...
-- Mas, nada! Por mais esforços que fazias teu braço parecia curto...Eu dizia baixinho...Calma, calma estás quase conseguindo...Quando vi que desistia, despreguei-me do talo que me erguia, antes que caísse sem ser por vontade própria...chamo isso de liberdade, meu caro poeta! Agora leva-me, põe-me no teu mais bonito jarro, despeja água para retardar a minha passagem, faz-me um poema, deixa-me contemplar teus versos...
Anda!! Ladrão de flores...Corre, corre!! Pois já ouço o ranger das pétalas...
Mozart Machado





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